Homenagem ao Mestre Quintana


Homenagem ao Mestre Quintana:

A coisa

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita..."

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tento ir para longe
Desse amor incerto,
Mas toda vez é a mesma coisa:
Vou... mas vou completamente só.
Vou só, até de mim mesma,
Pois meu coração não me acompanha.
Meu coração fica.
Meu coração permanece
Sempre no mesmo lugar.
Inutilmente volto para buscá-lo...
Chamo, suplico para que venha comigo,
Mas ele já não responde.
Então fico também,
No meio do caminho...
Pois sem coração
Nenhum rumo é certo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Muitas, muitas coisas seriam mais fáceis nessa vida se todos enxergassem e aceitassem apenas dois fatos: que as pessoas desse mundo, sem exceção, cometem erros... e que as pessoas mudam.
Uma pessoa é sempre algo em transição, mesmo que ela não saiba ou não tenha plena consciência disso.
Por isso acho estranho quando dizem: - meu casamento acabou porque meu marido mudou. Claro que mudaria! Todas as pessoas mudam, independente da nossa vontade, do nosso querer.
No exemplo da frase que citei, o que aconteceu, foi que o marido, apenas não mudou como a esposa esperava. Mas aí, já não é problema do marido, pois não foi ele que incutiu qualquer expectativa em sua esposa.
É isso que muita gente não entende. As nossas expectativas, são criadas por nós mesmos. Ninguém consegue iludir você. Você é que ilude a si próprio. Mesmo que alguém queira fazer com que você acredite em alguma coisa que não é real, nada acontece sem a sua concessão.
Mas eu sei, eu sei que a gente concede, autoriza, assina embaixo.
É, voltamos para o primeiro fato: nós todos erramos. E vamos continuar errando até o fim da vida. Por isso, costumo dizer, que quando eu morrer, talvez me torne uma pessoa maravilhosa! Porque quando morremos, o que resta de nós, são somente lembranças nostálgicas que junto com o costume do ser humano valorizar só o que já não tem, nos transforma em pessoas até melhores do que fomos... Ah, mas quase esqueço, que depois que morremos é que os outros conseguem ver aquilo que era essencial em nós, que estava tão óbvio, tão à vista, mas mesmo assim não era notado. Talvez estivéssemos perto demais. Talvez justamente a nossa presença é que fazia com que vissem cada pequeno defeito nosso, menos a nossa essência. Talvez faltasse o distanciamento que a morte proporciona.
Mas diante de tudo isso, o que precisamos perceber, é que todas as pessoas são seres humanos "em construção". E a construção não vai estar nem perto de finalizada, nem quando tivermos 90 anos. Parece injusto, muito injusto. Mas não há outro jeito e também não há o jeito certo. Cada um vai errando, mudando, aprendendo, vivendo... do seu jeito. O que não podemos esquecer é que estamos aqui justamente para isso e que todos temos o direito de errar, de mudar e de recomeçar, sempre.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Então, mais uma vez,
Fica o dito pelo não dito.
O que eu falei e lhe feriu,
O que eu nunca disse
E mesmo assim você concluiu.
O que eu falei e você não ouviu,
O que eu calei,
E ainda assim
Você não escutou.
Pois bem, estou cansada
De palavras proferidas ou caladas.
O som das palavras fere.
E igualmente fere
O silêncio das palavras não ditas.
Restam-me as únicas palavras
Que me salvam a cada dia:
As palavras que escrevo
E que dizem tudo que preciso.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Não sou uma mulher de meios termos. Ou estou alegre... ou estou triste. Ou estou calma... ou estou feroz. Ou amo as pessoas... Ou então sou indiferente a elas. Sou intensa. O mais ou menos nunca me agradou. Entretanto, sou bem realista e nunca tive a ridícula pretensão de ser perfeita.
Sou muito verdadeira, transparente e sensível... Contudo, sou impaciente e não engulo desaforos. Sou simples, carinhosa e bem humorada... Cozinho muito bem,  gosto de futebol e não tenho frescuras... Porém tenho uns dias de terrível TPM. Enfim, sou uma mulher apenas... uma só! Sou sim, diferente, pois sou um emaranhado único, uma complexidade ímpar e singular. Mas tenho virtudes e defeitos, assim como todas as outras mulheres.
Só que me conheço muito bem, para saber que a maior parte em mim é também a melhor. Mesmo assim, assumo meus defeitos e não os escondo. Eles também fazem parte de mim e são como um filtro, pois são eles que afastam de mim as pessoas que não me amam o suficiente para suportá-los.  

"Se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor." (Marilyn  Monroe)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Em boca fechada
É que não entra mosca...
É que não entra nada.
Mas a melhor parte,
É que de boca fechada
Também não sai nada.
Pois um ignorante em silêncio,
É mais esperto
Que muita gente!
Life is like a pie. É... a vida é como uma torta.
E nós somos as crianças ansiosas, esperando sempre pelo melhor pedaço...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Uma borboleta solitária e azul,
De um azul mais vivo que o próprio céu,
Lentamente vai dançando pelo ar...
Quase não agita as lindas asas,
Apenas se entrega sem medo 
E vai acompanhando o vento
Por onde ele a quiser levar...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mais um Agosto cinzento e frio...
Parece que os ponteiros do relógio
Também congelaram com a geada,
Fazendo o tempo parar.
Tenho a impressão de que este inverno
Não quer ir embora, não quer acabar.
Ou será isto, só a minha ansiosa espera pelas flores?
Ou será só a minha saudade desmedida?
Não... eu sei que não é só mais um Agosto.
Quase não estou aguentando, avó querida,
Este meu primeiro Agosto sem você.
Ainda bem que tenho meus versos em flor...
Eles são lírios perfumados e pequeninos
Que florescem em todas as estações.
São eles que te levam a minha saudade,
São eles que a ti dedico, com todo meu amor.
Quando o sentimento que trazemos no coração é de verdade, ele vai aos poucos dobrando o nosso orgulho, até que este se curve totalmente aos seus pés.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sabes,
Sempre te escrevo
Versos tristes e sem fim...
Mas não te espantes.
Eu não me espanto...
Quem respira poesia,
Já não leva em conta
Os tantos assombros dessa vida...
Nesta vida, básico mesmo, é saber perdoar... Porque todos já precisaram, estão precisando ou vão precisar do perdão de alguém.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Instruções para ler o Quintana:

Para ler o Quintana
É preciso estar a sós com a sua alma.
É preciso aquietar o ambiente e o espírito.
É preciso bebericar os seus versos
Aos poucos, em pequenos goles...
Como quem vai saboreando um bom vinho
De uma safra muito rara.
Para ler o Quintana,
Ainda é preciso
Não ter pressa alguma,
Pois todos os verbos estão conjugados
Infinitamente no tempo "para sempre".

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Nem sei como
Passei esta tarde.
Acho até que não passei...
Apenas o tempo passou por mim
Como se eu fosse uma estátua,
Em que até as lágrimas
Foram aos poucos, petrificando-se.
Não, hoje não é permitido
Nem ao menos chorar,
Pois observam-me...
E todos sabem
Que uma estátua não se move,
Não deixa escapar uma gota sequer
De seus olhos cansados.
Uma estátua apenas deixa-se ficar
 Quieta, muito quieta,
Para que os segundos se afastem sem lhe ferir.
Só o meu amor já não basta.
Só os meus sonhos já não bastam.
Meu coração já sabe
Que não há felicidade possível,
Sem que seja efêmera.
Coisa alguma nesse mundo se mantém,
exceto a poesia.
Percebo isso ao olhar para este entardecer.
Vejo que neste momento
Não me resta nada,
Além desta penumbra sombria
De ilusões perdidas.
Por isso é que preciso,
A cada nova manhã,
De uma esperança novinha em folha...
Novinha em verde-folha!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Não, eu nunca quis
Viver de brisa.
Ah... mas quem sabe um dia
Eu junte todo o meu cansaço,
Me aposente desse mundo
E vá viver só de poesia...
Porque a poesia é melhor do que qualquer brisa,
Porque a poesia jamais cansa.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Não colhas a dúvida
Do alto da tua insegurança
Para depois lançá-la aos meus pés.
O ceticismo do teu coração
Não te deixa enxergar,
Sem esta névoa de incerteza.
O medo é capaz de alterar
Qualquer afirmação,
E até mesmo as indagações...
Sem respeitar as regras da semântica.  
Ah! Em certas situações,
Nada como a boa e velha
Linguagem denotativa,
Onde uma pedra
Se limita ao seu sentido bruto de pedra.
Onde perguntas foram feitas
Somente para questionar,
Nunca para responder.
Trocando em miúdos,
Existem coisas mais importantes...
Viver por exemplo.
Não apenas esse viver de estar no mundo.
Mas um viver de sentir-se vivo, pulsante, único.
Não apenas esse viver de lembranças.
Mas um viver de agora, imediato, presente.
Não apenas esse viver de ser metade e um só.
Mas um viver de ser completo, por inteiro, a dois.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E assim,
Vamos gastando nossos dias
Displicentemente,
Desinteressadamente...
Como se nunca fôssemos morrer.
Como se a morte
Fosse a coisa mais certa e natural
Para todos,
Menos pra nós
E para aqueles que amamos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Peça-me carinho
E te darei afagos sem fim.
Peça me beijos
E te darei quantos quiser.
Peça-me poesia
E te darei todos os versos
Que moram em mim.
Peça-me sentimentos
E te darei todos que meu coração tiver.
Peça-me tudo, entre terra, fogo, água e ar...
Só não peça que eu te esqueça
Ou que deixe de te amar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Esta é apenas uma, dentre as mil coisas que passam pela minha cabeça. Já no meu coração, são sempre outros quinhentos...
Não ouça o que eu digo,
Pois você sempre sabe
Quando estou falando só da boca pra fora.
Nesses momentos,
Não deixe que minhas palavras
Te distraiam e te enganem.
Apenas preste atenção nos meus olhos.
Eles não possuem o véu da minha voz
Eles não se contaminam com o fel do meu orgulho,
Eles só sabem falar de amor.
O tempo
A tudo desgasta,
A tudo consome...
Menos a si mesmo.
Pois tão sábio é o tempo,
Que está sempre se renovando.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Alegres borboletas amarelas
Confundem-se entre as margaridas.
Em vão tento contar:
- Quantas borboletas para  cada  flor?
- Quantas lágrimas para chorar um amor?
- Quantos versos para cantar uma vida?
Não devemos alardear nossas alegrias, nem mesmo as menores, pois os olhos da inveja estão sempre à espreita.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Teus olhos se perdem
No lânguido rio que é meu corpo,
Nestas águas se confundem
Entre tantos espelhos e vitrais...
Mas se meu corpo
Te faz perder a calma,
Sei que minha alma te inquieta mais.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um dia a vida sorrirá para nós
Do jeito que esperamos.
Um dia seremos plenamente felizes.
Um dia nossos sonhos serão realidade.
Um dia alcançaremos nossos objetivos.
Um dia...
Não hoje.
Porque hoje não é esse dia especial
Que só existe em nosso imaginário.
Será amanhã?
Tampouco.
Um dia está longe, muito longe...
No lugar onde confortavelmente repousa
E de onde nunca sairá.
Esperamos toda uma vida por esse dia,
Porém esta data nunca chega.
Estará eternamente no futuro,
Para  que  sempre possamos dizer:
-Um dia...
Preciso esclarecer: nem tudo que escrevo é autobiográfico. Vez que outra, faz muito bem criar uma personagem, para viver uns instantes em outra vida... É como se dessa outra vida, eu pudesse olhar pra mim mesma e me enxergar sob um ângulo mais amigo, mais humano.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Teu abraço
É um reduto de conforto e paz.
Teus braços foram feitos
Para que pudessem me envolver.
Teu peito foi feito
Para que eu pudesse me recostar,
E ali, para sempre permanecer.
Teu sorriso foi feito
Para  que  todos os meus dias
Tivessem uma centelha de luz.
Teus olhos foram feitos
Para  que  em silêncio,
Você pudesse me falar.
Teus pés foram feitos
Para que você pudesse me alcançar.
Tua alma foi feita
Para que a minha alma
Pudesse se completar.
Ora! deixemos de lado,
Pelo menos um pouquinho,
Essas tantas coisas ruins.
Afinal, nelas, que há de novo?
O mundo está cansado de vê-las.
O que é bom, é raro, eu sei.
Mas o raro é que interessa,
Que chama atenção,
Que se sobressai.
Por alguns momentos ao menos,
Voltemos nossos olhares fatigados
Apenas para aquelas paisagens
Em que eles possam repousar. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Hoje as palavras estão voando
Mais velozes do que de costume.
Quando penso,
Lá  se foi mais uma,
Janela afora...
Sem dar tempo sequer
De eu ver que cor resplandecia
Ou se tinha sua própria luz...
Talvez seja culpa do vento,
Que hoje está ventando sem saber pra onde.
Só sei que hoje as palavras estão voando
Mais velozes do que sempre.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O tempo...
O tempo...
Só sei que o tempo leva os dias
Mas não leva você de mim.
A espera...
A espera...
Toda espera é inútil
Quando desprovida de esperança.
O cansaço...
O cansaço...
Só meu coração é que não cansa
De te querer tanto assim.
Não sou a dona da verdade, jamais tive ou jamais terei essa pretensão. Sou sim, apaixonada por minhas opiniões, tomo partido, não fico em cima do muro.
Escrevo, não para dizer verdades. Escrevo para falar de minhas convicções, que para muitas pessoas, estão totalmente erradas.
Respeito a opinião dessas pessoas. Ninguém precisa concordar comigo, assim como eu não sou obrigada a concordar com ninguém. Cada um tem seu ponto de vista, e este é muito singular, muito íntimo para ser julgado por qualquer outra pessoa.
Diferentes pessoas, têm diferentes maneiras de fazer com que as coisas funcionem em suas vidas. O que dá certo pra mim, por exemplo, pra outra pessoa seria um desastre.
Ninguém é dono da verdade. Mesmo porque, não existe uma verdade única.

terça-feira, 2 de agosto de 2011


Ao deixar a dúvida criar raízes, você vira refém de seus próprios pensamentos, pois a dúvida só traz mais de si mesma. A insegurança só vai te dizer uma única coisa: que você não é capaz.
Engula em seco esse orgulho
Que nada deixou,
Senão o gosto amargo
Das palavras que ficaram presas na garganta.
Em vão dizê-las agora.
Só resta ministrar em pequenas doses
Esse silêncio que permeia as horas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pode estar tudo em pratos limpos, muito bem definido e explicado. Acontece, que coração nunca entende.
Sempre que chove
Meus olhos se enchem de espera...
Mas quando a chuva cai assim,
Bem de mansinho,
Vai regando sonhos adormecidos,
Trazendo este silencioso alento.
Então a espera inunda meus olhos,
Vai brotando pela face, devagarinho...
Florescendo em esperança.