Homenagem ao Mestre Quintana


Homenagem ao Mestre Quintana:

A coisa

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita..."

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Muitas, muitas coisas seriam mais fáceis nessa vida se todos enxergassem e aceitassem apenas dois fatos: que as pessoas desse mundo, sem exceção, cometem erros... e que as pessoas mudam.
Uma pessoa é sempre algo em transição, mesmo que ela não saiba ou não tenha plena consciência disso.
Por isso acho estranho quando dizem: - meu casamento acabou porque meu marido mudou. Claro que mudaria! Todas as pessoas mudam, independente da nossa vontade, do nosso querer.
No exemplo da frase que citei, o que aconteceu, foi que o marido, apenas não mudou como a esposa esperava. Mas aí, já não é problema do marido, pois não foi ele que incutiu qualquer expectativa em sua esposa.
É isso que muita gente não entende. As nossas expectativas, são criadas por nós mesmos. Ninguém consegue iludir você. Você é que ilude a si próprio. Mesmo que alguém queira fazer com que você acredite em alguma coisa que não é real, nada acontece sem a sua concessão.
Mas eu sei, eu sei que a gente concede, autoriza, assina embaixo.
É, voltamos para o primeiro fato: nós todos erramos. E vamos continuar errando até o fim da vida. Por isso, costumo dizer, que quando eu morrer, talvez me torne uma pessoa maravilhosa! Porque quando morremos, o que resta de nós, são somente lembranças nostálgicas que junto com o costume do ser humano valorizar só o que já não tem, nos transforma em pessoas até melhores do que fomos... Ah, mas quase esqueço, que depois que morremos é que os outros conseguem ver aquilo que era essencial em nós, que estava tão óbvio, tão à vista, mas mesmo assim não era notado. Talvez estivéssemos perto demais. Talvez justamente a nossa presença é que fazia com que vissem cada pequeno defeito nosso, menos a nossa essência. Talvez faltasse o distanciamento que a morte proporciona.
Mas diante de tudo isso, o que precisamos perceber, é que todas as pessoas são seres humanos "em construção". E a construção não vai estar nem perto de finalizada, nem quando tivermos 90 anos. Parece injusto, muito injusto. Mas não há outro jeito e também não há o jeito certo. Cada um vai errando, mudando, aprendendo, vivendo... do seu jeito. O que não podemos esquecer é que estamos aqui justamente para isso e que todos temos o direito de errar, de mudar e de recomeçar, sempre.

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