Homenagem ao Mestre Quintana


Homenagem ao Mestre Quintana:

A coisa

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita..."

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sim, estou cansada. Situações importunas que se repetem quase todos os dias, cansam. Estou cansada de ter que conviver com o machismo nosso de cada dia e não poder nem revidar, sem ser tachada de "feministinha" ou "revoltadinha". E a liberdade de expressão? Onde fica? Eu quero poder expressar a minha opinião e a minha visão, sem ser rotulada, e se pra isso eu precisar escrever, então é o que farei!
Todo santo dia eu escuto no trabalho, frases, sentenças, textos machistas... e todos riem como se aquilo não incomodasse ninguém e como se fosse a coisa mais natural do mundo. Só que não! Porque não é natural, foi algo imposto.  E porque eu me incomodo, eu me importo!
Outro dia eu ouvi: - Seu cabelo é tão bonito, por que você não deixa crescer? Seria bem mais feminino!
Aí eu dou um sorriso amarelo e sou gentil, dizendo que eu gosto do meu cabelo assim, e acho que mesmo sendo curto ele é feminino. Mas depois penso que deveria responder: - Pois é, e sua mente é tão pequena... por que você não deixa crescer também? Seria bem mais útil!
E antes que alguém me rotule de recalcada, eu já vou avisar: eu sou sim uma mulher muito feminina, me amo exatamente do jeitinho que sou, mas sou o que sou, por escolha MINHA. Se sou feminina é porque gosto, não porque tenho que ser assim. 
Mas vejo tanta gente se preocupando com o cabelo, com a roupa, com a aparência, que eu fico me perguntando, quando foi que essas pessoas deixaram de raciocinar?
Um outra pérola que ouvi foi: - Esse seu batom é muito vermelho pra usar no trabalho! E eu respondi: Você pode achar, mas vou continuar usando quando eu quiser, então quem convive comigo vai ter que se acostumar. E pasmem, ouvi a frase acima de uma mulher. Sim, infelizmente, tristemente, mulheres são mais machistas que muitos homens. E o que ouvi, foi de uma pessoa que não tem relação de trabalho comigo, então é claro que eu pude responder dessa maneira. Mas agora vamos imaginar como se sente uma mulher que depende de um trabalho pra sobreviver, e que neste local de trabalho, tem que seguir à risca o jeito de se vestir e se maquiar que os seus chefes impõe? Ela nunca poderia dar a mesma resposta! E os direitos fundamentais? Onde ficam?
Sim, o machismo cansa, e cansa muito. Ele está em toda parte, enraizado muitas vezes inconscientemente na postura das pessoas. Mas sabe, ouvir coisas do tipo que descrevi nesse texto, tem seu lado positivo, e muito positivo, porque se as pessoas falam, o machismo vem à tona, ele sai dos corredores secretos, ele deixa de ser o assunto que se cochicha, ele mostra sua cara... e assim, podemos olhá-lo de frente e temos a oportunidade de combatê-lo!

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