É com muito orgulho que vou publicar aqui, um texto escrito por minha mãe, ao mesmo tempo em que desconfio, que dela é que herdei o gosto pela leitura e pela escrita.
Para mim não é novidade, mas algumas pessoas poderão se surpreender ao saber que minha mãe também escreve. O que tenho a esclarecer sobre isso, é que felizmente nos dias de hoje, eu sou totalmente livre e posso me expressar através deste blog, no entanto, há apenas algumas gerações atrás, tudo era mais difícil para as mulheres, pois elas não tinham o direito de priorizar suas escolhas, suas vidas eram extremamente limitadas, elas precisavam cuidar de seus lares, de seus filhos, fazendo isso do jeito que podiam. E em meio a essa realidade, para a maioria delas, não havia possibilidade de estudar, de ler, de pensar, muito menos de se expressar. Lamentavelmente, minha mãe fez parte dessa maioria. Por isso acredito não ser coincidência, que o texto escrito por ela, fale exatamente sobre as complexidades e dificuldades que faziam, e que ainda hoje fazem parte da vida das mulheres, pois após muita luta, foram garantidos os diretos ao trabalho, ao estudo, ao voto, dentre outros. Porém, mesmo tendo agregado essas conquistas, as mulheres não deixaram de realizar seus inúmeros afazeres e tarefas domésticas. Então essas mudanças acabaram gerando uma sobrecarga enorme, pois hoje as exigências impostas pela sociedade, através de uma cultura extremamente machista que se perpetua através dos anos, são de que as mulheres acumulem cada vez mais funções: que sejam chefes de família, mães, esposas, profissionais, estudantes, donas de casa, arrimos de família, empresárias, intelectuais, etc., e que ainda se preocupem (e muito), com a ditadura dos padrões físicos e da beleza.
Mas voltando ao fato de escrever, infelizmente, no caso de minha mãe, ela não teve as oportunidades que tive e tenho, de estudo, de profissionalização, de aprimoramento intelectual, mas mesmo tendo vivido em uma época bem mais difícil e com restrições incomensuravelmente maiores, nada disso atingiu a sua inteligência, o seu gosto pela leitura, a sua curiosidade e vontade de aprender, a sua criatividade, a sua perspicácia para perceber e acompanhar as transformações do mundo em que vivemos.
E conforme segue abaixo, de acordo com as definições de sua própria autoria, com muito orgulho, minha mãe é "apenas uma mulher"!
Mulher que tem a capacidade de gerar a vida, de amar incondicionalmente seus filhos, de esperar nove meses para vê-los nascidos, de esperar uma existência inteira para vê-los crescidos e felizes.
Mulher que faz duplas, triplas jornadas, fazendo sempre horas extras para amar e trabalhar, para trabalhar e amar, durante toda a sua vida, enquanto tiver vida.
Mulher que tem a capacidade nutrir com seu leite, com seu trabalho, com seu amor e com seu sangue, se preciso for.
Você é apenas uma mulher... mas que faz toda a diferença, que transforma o mundo a cada segundo, sem que muitas vezes isso seja percebido.
Apenas uma mulher, mas que detém em si, a inexplicável magia de dar vida, e todo o poder de transformação que o mundo necessita."
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