Homenagem ao Mestre Quintana


Homenagem ao Mestre Quintana:

A coisa

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita..."

terça-feira, 28 de maio de 2013


Estou tão acostumada a cumprir com as incontáveis exigências que foram impostas ao sexo feminino, que em alguma época e de alguma forma foram aceitas e legitimadas pelas próprias mulheres e que mesmo que muita gente não perceba, ainda hoje continuam válidas, que muitas vezes me sinto cansada e ainda fico indignada comigo mesma, me perguntando qual seria o motivo para que eu me sinta assim. Mas aí eu paro pra pensar e digo a mim mesma: -só um pouquinho, eu tenho muitos motivos para estar cansada e isso não pode continuar! E é por isso que luto contra o machismo, pois depois que abrimos os olhos, percebemos que ele está presente em praticamente tudo, que ele invade silenciosamente a nossa vida, tornando-a cada dia mais difícil. Sinceramente, eu gostaria de ser livre, mas com as coisas do jeito que estão, é praticamente impossível conseguir me sentir assim.
A mulher tem que se cuidar, cuidar da pele, do cabelo, do corpo, tem que ser magra, bonita, ter uma boa aparência, mas tem que ser culta e equilibrada também, tem que estudar, trabalhar, ser independente, ter sua casa, seu carro, sua família, filhos, cuidar para que tudo esteja em ordem no seu lar, e ainda cuidar dos outros... Sem que sequer possamos perceber, cada vez mais surgem exigências e objetivos inalcançáveis, pois sempre vão existir novas imposições e cobranças. E o que me deixa mais preocupada, é que as mulheres estão simplesmente aceitando tudo isso, mesmo se sentindo exaustas, continuam em sua busca sem fim, como se fossem heroínas com superpoderes, esquecendo que são apenas seres humanos. Nada contra à determinação e à força de que somos dotadas, mas acredito que primeiramente precisamos tomar consciência de nossa situação atual e perceber que temos o direito de questioná-la, que temos o poder de rever nossos conceitos e avaliar o que realmente queremos. Temos o direito de escolher. Isso sim é liberdade, o resto é opressão.



Nenhum comentário:

Postar um comentário