Homenagem ao Mestre Quintana


Homenagem ao Mestre Quintana:

A coisa

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita..."

segunda-feira, 18 de junho de 2012


Ultimamente ando observando a angústia das mulheres, que na atualidade, se dividem entre carreira profissional, estudos, tarefas domésticas, cuidados com a beleza e quando ainda não possuem marido e filhos,  na busca incessante por eles. E é claro que se eu for citar aqui todas as multifunções que uma mulher assume, o texto vai ser bem longo, então vou me ater a estes exemplos.
Pois bem, como se não bastasse nos encontrarmos extremamente sobrecarregadas, parece que se instalou uma mentalidade de que é normal exigir cada vez mais de nós, sendo que se alguma vez deixamos de atingir as expectativas, passamos a nos sentir as últimas criaturas da face da terra. 
Além de tantas exigências, ainda ousam nos dizer o que devemos e como devemos fazer, mesmo que veladamente, sendo que diante da correria louca do nosso dia à dia, dificilmente paramos para pensar se é isso o que realmente queremos e se estamos felizes.  Geralmente só percebemos que algo não vai bem, quando a voz interna que nos alerta, passa a gritar insistentemente. Nesse momento já nos sentimos mal fisicamente e nosso psicológico virou uma bagunça. Procuramos e procuramos entender o que deu errado em toda a "receita" que nos passaram e que seguimos à risca. Começamos a nos perguntar qual o motivo da nossa insatisfação e do vazio enorme que não conseguimos preencher, por mais que tentemos. Mas a resposta, embora muitas vezes esteja camuflada, na minha opinião é simples: é justamente porque seguimos a tal "receita", pois ela não veio do nosso íntimo, ela veio de fora e nos foi imposta.
Sim, falar em imposição parece forte demais, mas não encontro outra palavra para descrever a nossa situação. 
Para que possamos enxergar isso, sugiro que analisemos as razões pelas quais as mulheres estão se desdobrando para dar conta de uma diversidade cada vez maior de funções... Óbvio que muitos vão dizer que fomos nós que nos metemos a querer provar nossa capacidade de realizar tarefas que eram estritamente vinculadas ao sexo masculino e que foi isso que acabou nos sobrecarregando. Muitos vão dizer que é culpa do feminismo, porém o feminismo nunca pregou a supremacia da mulher, muito menos a criação de uma super mulher que pode dar conta de qualquer coisa nesse mundo. O que o feminismo sempre buscou e ainda busca, é a igualdade, que mesmo depois de tanto tempo e tantos esforços, ainda não foi alcançada. 
Será alcançada no dia em que acabarmos com essas exigências extremamente exageradas e sobre-humanas, no dia em que deixarmos de aceitar esta carga tão pesada sobre nossos ombros fatigados, no dia em que priorizarmos as nossas vontades e aspirações.
Não podemos esquecer, que só porque a sociedade que sempre viveu e ainda vive de aparências, apregoa aos quatro ventos que atualmente uma mulher deve ter um bom trabalho, uma boa educação, uma boa aparência (conforme os padrões pré-estabelecidos para a época é lógico) e que além disso ainda precisa ter um lar bem estruturado com marido e filhos... tudo isso pode não ser o ideal para nós. Quem foi que disse que é disso que uma mulher precisa para ser feliz? Quem disse que ela não pode encontrar sua realização apenas como esposa, apenas como mãe ou apenas como profissional? Quem disse que ela precisa de um marido? Quem disse que ela precisa ter filhos? Quem disse que ela precisa ser magra ou então ter o corpo sarado? Quem é que sabe melhor do que ela própria, o que a faz se sentir bem consigo mesma? 
Nós mulheres precisamos despertar, precisamos enxergar tudo o que estão nos enfiando goela abaixo. Temos que buscar a nossa identidade e de acordo com ela, correr atrás daquilo que realmente queremos, sendo que somente a partir disso devemos pautar cada uma de nossas escolhas. Nascemos livres, precisamos nos lembrar disso em todas as circunstâncias, devemos lutar contra tudo que possa a vir ameaçar nossa liberdade, quebrando costumes, dogmas, e até regras, se assim for necessário.

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